A história do grande peixe do Yom Kipur
No Yom Kipur, o dia mais solene do calendário Judeu, uma história sobre um grande peixe é lida nas sinagogas. Enquanto os adoradores fazem jejum, confessam seus pecados e refletem as palavras de Moisés e Isaías, escutam mais uma vez sobre uma grande pesca tão fantástica que ninguém acreditaria se não estivesse na Bíblia.
De todas as leituras que poderiam ter sido escolhidas para o dia mais santo do ano, alguém começou a tradição de ler a história de Jonas. Mas por que? Por que os judeus leiem sobre o relutante profeta que fugiu de Deus, foi pego por um grande peixe, e depois miraculosamente foi libertado completando sua perigosa missão no que seria agora a nação do Iraque?
Rabinos têm várias explicações para ler a história de Jonas no feriado comumente chamado de Dia do Perdão. Um professor de Israel disse que a história de Jonas fala mais sobre arrependimento do que do peixe. Alguns dizem que Jonas é a evidência que ninguém escapa da presença de Deus, mesmo tentando fugir do o Todo-poderoso. Outros acreditam que Jonas é lido no Yom Kipur na esperança de que seus ouvintes possam aprender através dos erros de Jonas. Um rabino diz, “Deus cuida de cada um de nós. Jonas só pensava nele mesmo. Deus venceu”.
Cada uma destas explicações tem um significado interessante. Mas a última me intriga mais do que todas. A história de Jonas, é na realidade, sobre um homem teimoso, egoísta que estava feliz de receber a misericórdia de Deus quando pensou que estiva morrendo no estômago de um grande peixe (2:9). Mas ele não quis saber de nada com Deus que poderia ser gracioso e misericordioso com os inimigos de Israel (4:2).
Antes que julguemos severemente Jonas, vamos refletir um pouco sobre Níneve.
Nos dias de Jonas, Níneve era a próspera capital do grande Império Assírio. Seus soldados tinham a reputação de torturarem seus prisioneiros de guerra. Rumores das atrocidades assírias eram tão alarmantes que suas vítimas freqüentemente se rendiam sem luta.
Esse era um povo no qual Deus havia enviado Jonas, dizendo “Vá depressa e á grande cidade de Níneve e pregue contra ela, porque a sua maldade subiu até a minha presença” (1:2).
Uma das surpresas da história de Jonas é quando ele finalmente espalha a mensagem de Deus nas cidades de Níneve, a cidade inteira vem a se arrepender. Até mesmo os animais vestiram de pano de saco depois que o rei dos assírios declarou como um profeta “Cubram de pano de saco, homens e animais. E todos clamem a Deus com todas as suas forças. Deixem os mais caminhos e a violência. Talvez Deus se arrependa e abandone a sua ira, não sejamos destruídos” (3:8-9).
Para a surpresa de Jonas, seus piores medos passaram. Deus mostrou sua misericórdia aos inimigos de Israel quando ele vê a mudança do coração deles. Jonas fica furioso. Ah, Senhor, não foi isso que eu disse quando ainda estava em meu país? Por isso me adientei em fugir para Társis pois sei que tu és Deus, bondoso e misericordioso, tardio em irar-se e grande em benignidade, e te arrependes do mal. Por isso, agora Senhor, tira a minha vida pois é melhor morrer do que estar vivo!(4:2-3).
Esta história fica ainda surpreendente. A medida que Jonas assentou-se fora da área da cidade esperando ver o que ia acontecer, Deus plantou um árvore para dar sombra à Jonas. Jonas ficou muito agradecido. Depois Deus enviou um verme para matar a planta que secou, deixando não só Jonas sofrendo insolação no meio do deserto de sol de Oriente Médio mas também furioso com Deus. As últimas palavras de Jonas não mostram nenhuma mudança de coração. Ele estava com tanta raiva que o Senhor perguntou: “É razoável essa tua ira por causa da planta?”. E Jonas respondeu: “É razoável a minha ira até à morte (v.9)”.
A medida que a história de Jonas vai chegando ao fim, Deus provoca a consciência de um homem que estava mais preocupado com a planta que deu à ele um sombrinha, do que com o povo de Níneve que precisava de misericórdia.
Aí seria onde a história de Jonas terminaria se não fosse a possibilidade de que outros desde então têm aprendido através dos erros de Jonas. E nós? Poderia o jovem profeta nos ajudar a fazer este mesmo dia a ser um dia de perdão nos lembrando que Deus cuida de cada um de nós? Somos inclinados a cuidar somente de nós mesmos. Mas conosco ou não, Deus levará a cabo seus planos.
Desde o começo, o intento de Deus era mais nobre do que deixar só que uma família comesse da terra onde emana leite e mel. Ele demarrou seu amor por seu “povo escolhido” com o propósito muito maior do que somente eles mesmos. Envolvidos pelo seu amor, eles foram chamados para levar ao mundo inteiro as novas da misericórdia de Deus, paciência, compaixão à corações arrependidos.
Até quando Jesus apareceu em cena, alguns líderes religiosos proeminentes pareciam ter esquecido da missão de Deus para Israel. Como ecos de Jonas, achavam os não-judeus como pessoas sujas e intocáveis, não merecedoras da misericórdia de Deus.
Sem nenhuma intenção, estes moralistas religiosos fizeram uma imitação muito boa mesma de Jonas. Embora ignorantes do fato naquela época, estavão com raiva de Deus que mostrou misericórdia aos seus inimigos.
E quanto a nós? Será que já deparamos com uma situação como a de Jonas? Poderia estar acontencendo isso contigo agora mesmo? Se sim, será necessário um “grande peixe” para que nós mudemos de atitude? Estamos dispostos a fazer com que este dia seja um momento pessoal e um dia de perdão?
Pai celestial, vejo Jesus e Jonas em mim. Um que cuida de todos nós e outro que só pensava em si mesmo. Um que morreu por mim e outro que só me mata. Por favor, renova meu coração verdadeiramente arrependido e a vontade de deixar que você ame os “assírios” para os quais seu filho morreu. —Mart De Haan