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PENSANDO SOBRE...

O Amor de Deus

 

Ao me olhar no espelho, me perguntava se estava na frente de um dos “mimados” do céu.

 

Tendo usufruído mais da misericórdia de Deus do que merecia, observei nos meus olhos uma tristeza que refletia, não o que Deus tinha me dado, mas o que ele não havia me concedido.

 

Meus questionamentos provocavam uma distância emocional entre eu e o Pai, com o qual tanto contava. Por que ele não respondia meus pedidos? Tinha consciência que o tinha “deixado na mão” de várias maneiras. Mas não queria mais me sentir como uma criança que não fora amada como também não “gostava” de pensar nele como alguém emocionalmente distante ou um pai negligente.

 

Com pensamentos que não gostaria de ter tido, encontrei ajuda ao reler a história de um homem que compreendeu —muito mais do que eu— o que era ter ‘um dia daqueles’.

 

Por que Paulo continuava sorrindo?

 

Na carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, ele relata uma série de sofrimentos que passou como servo de Cristo:  cinco vezes sofreu 39 açoites; três vezes foi golpeado com varas, uma vez apedrejado e dado como morto; sofreu três naufrágios (2 Coríntios 11:24-28). E, como isso não bastasse, quando Paulo foi atribulado com um problema físico que ele cria que vinha da parte de Satanás, disse que suas orações pela cura não foram concedidas (2 Coríntios 12:7-10).

 

Contudo, Paulo ainda é considerado hoje como um seguidor de Cristo, que algumas vezes falou sobre o amor de Deus como se nada mais tivesse importância.

 

Além de seus próprios problemas, Paulo carregava o peso da sua preocupação pelos outros. Dessa maneira, escreveu aos seguidores de Cristo: “Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai . . . . Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do seu Espírito, para que Cristo habite no coração de vocês mediante a fé; e oro para que, estando arraigados e alicerçados em amor, vocês possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus” (Efésios 3:14-18).

 

O que Paulo tinha que não temos hoje? Como um homem com tantos problemas podia ter mais certeza do amor de Deus do que nós?

 

O que nos falta hoje?

 

De acordo com Paulo, o fato de sabermos que somos amados é tão importante para nosso bem-estar como o é para o carvalho e o cedro possuir uma raiz boa e saudável. Se não estivermos bem alicerçados no amor de Deus, seremos como uma árvore de raízes rasas que não se firma, seca com o calor e é levada pelo vento.

 

Estando bem alicerçado no amor de Deus, Paulo podia gemer de estar num mundo tão atribulado (Romanos 8:22-23), e ainda assim escrever : “Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:38-39).

 

Mas qual era seu segredo? Como Paulo conseguia viver em meio a tanta tensão? Como ele podia ver o amor de Deus como um vasto oceano, e ao mesmo tempo admitir que seus sentimentos o levavam aqui e ali, como um navio num mar tempestuoso?

 

Por que Paulo se ajoelhava?

 

Se Paulo tivesse concluído que perceber o amor de Deus nada mais era do que uma obrigação moral, ele podia ter encorajado outros a simplesmente “cumprir essa obrigação”.

 

Em vez disso, Paulo escreveu uma oração para esclarecer que o fato de perceber a profundidade do amor de Deus não era somente uma questão de abrir nossos olhos para o óbvio. A sua carta aos Efésios explica por que ninguém pode se vangloriar ao descobrir por si próprio um oceano de amor divino, infinito e eternamente maior do que qualquer amor humano que possamos conhecer. Ao dizer isso, ele estava pedindo ao Senhor para ajudá-los a ver a largura e a profundidade do amor de Deus para todo seu povo. Paulo estava dizendo aos Efésios, e a nós também, que para sentirmos a maravilha de quanto Deus se importa conosco, requer o trabalho do Espírito em nossos corações (Efésios 3:16-19).

 

Precisamos orar para começarmos a compreender o imensurável amor de Deus por nós. É algo que devemos pedir para nós, e uma forma de intercedermos por aqueles que amamos.

 

Quando Paulo orou para que, juntamente com todos os santos, os Efésios pudessem conhecer a imensurável profundidade do amor de Deus, ele estava nos incluindo na sua oração. Nossas circunstâncias não nos excluem dessa oração. Paulo já previa isso. Ele não estava escrevendo esta carta de um retiro numa montanha. Ele estava escrevendo em circunstâncias que nunca escolheria para ele mesmo.  Paulo escrevia de uma prisão.

 

O que Paulo vizualizava?

 

No confinamento de uma prisão romana, Paulo não guardou segredo de onde procediam seu ânimo e sua força. Leia a carta aos Efésios e conte o número de vezes que ele se referia ao nome daquele que morreu por nós. Suas cartas, assim como sua vida, demonstravam que ele era totalmente consumido, fortalecido e encorajado, vendo em Cristo, a prova do amor de Deus, não somente por ele, mas por todos nós.

 

Veja outra vez a maravilhosa obsessão do apóstolo Paulo. Em sua inspirada oração aos Efésios, ele pede: “Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai, . . . que Cristo habite no coração de vocês mediante a fé; . . . e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus” (Efésios 3:14-19).

 

As circunstâncias ao nosso redor talvez nos indiquem que o Pai nos céus esteja emocionalmente indiferente ou até mesmo agindo de forma negligente. Mas, como Paulo descobriu, aquele que fez um cego enxergar, expulsou demônios, e tomou nossos pecados em seu próprio corpo, é merecedor de muito mais confiança do que nossas circunstâncias.

 

Pai que estás nos céus, perdoa-nos por tentarmos enxergar o teu amor com nosso próprio esforço. Pedimos que tu possas fazer por nós o que não podemos fazer por nós mesmos. Abre os olhos de nossos corações. Ajude-nos a enxergar através dos olhos de teu Filho, a tocar as feridas de suas mãos, a sentir o calor de teu abraço e a ver, nele, tuas lágrimas por nós.  —Mart De Haan