O Céu
Anseio por longas caminhadas com bons amigos, compartilhar refeições sem pressa, e rir à beça sem zombar de ninguém. Estou antecipando o trabalho significativo com tempo de sobra para ler, fotografar, pescar e fazer trabalho comunitário. Para entretenimento casual não descarto a oportunidade de assistir a um jogo de futebol. Se meu palpite estiver correto, competição entre amigos será saudável no céu. Fico pensando se haverá um jogo de hockey sobre o gelo sem brigas; futebol sem vaias; e finais de basquetebol onde perder bem, é tão valorizado quanto ganhar. Pode até existir uma forma mais segura de boxe e andar em carros de corrida.
Uma especulação boba? Talvez. Um insulto a Deus? Espero que não. Fico tentando imaginar um céu construído no bem que conhecemos, deixando para trás o mal.
Quando criança, tinha medo que o céu fosse chato. Não percebia o contexto de ruas de ouro e portões de pérola. Aos 10 anos de idade, o que eu mais gostava de fazer era jogar beisebol, colecionar fósseis e caçar sapos.
Nos anos que se seguiram, as mortes de familiares e amigos mudaram a minha forma de pensar a respeito do céu. Mas eu ainda tenho questionamentos. O que faremos depois de desfrutar de longos abraços, lágrimas de alegria e colocarmos a conversa em dia? Minha mente ainda fica travada, como um computador superlotado de informações, enquanto tento ponderar esses questionamentos sobre um ‘futuro’ que durará para sempre.
Ironicamente, o que me traz mais paz à consciência não é deixar minha imaginação vagar, mas aprender a confiar. Encontro paz quando penso que Deus não quer que saibamos o que ele preparou para nós. Não ficaria surpreso se ouvisse nosso Deus dizer algo assim, “Se eu te contasse, teria que levá-lo”. Ou, baseado na experiência do apóstolo Paulo, “Se eu te dissesse como vai ser bom, teria que fazer a vida mais difícil para você agora”.
Paulo deixou esse mesmo pensamento, subentendido, quando descreveu o que pensou que poderia ter sido uma experiência fora do corpo. Ele mesmo admitiu que não estava seguro do que tinha acontecido. Mas disse que foi levado aos céus onde ouviu palavras inefáveis não lícitas ao homem repetir (2 Coríntios 12:1-4). Aparentemente, seja lá o que Paulo tenha ouvido foi tão esplendoroso que o teria distraído da dependência contínua da graça de Deus. Por isso, o tempo que Paulo esteve na terra, o Senhor dos Céus o deixou sofrer nas mãos de satanás para que ele se mantivesse aos pés do Senhor (2 Coríntios 12:7-9).
Estou convencido que o Deus que ensinou Paulo a depender dele, um dia de cada vez, está agora nos ensinando a depender dele durante a eternidade, o que ultrapassa nossa habilidade de entendimento.
Então, quanto ele quer que nós saibamos?
O CÉU NAS ESCRITURAS JUDAICAS
Moíses e os profetas mencionam apenas um pouco sobre o céu. Asafe, o líder de louvor de Israel, nos diz tanto quanto qualquer um diria quando se refere a seu Deus, “Tu me diriges com teu conselho, e depois me receberás com honras. A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti” (Salmo 73:24-25).
Mais tarde o profeta Isaías prevê um novo vínculo entre o céu e a terra. Ele prevê um dia internacional de paz quando Deus viverá entre nós na terra, e até quando os animais selvagens não caçarão uns aos outros (Isaías 2:4; 65:25). Isaías visualiza a renovação e restauração dos céus e da terra quando cita a Deus dizendo: “Pois vejam! Criarei novos céus e nova terra; e as coisas passadas não serão lembradas. Jamais virão à mente [...] e nunca mais se ouvirão nela voz de pranto e choro de tristeza” (Isaías 65:17-19).
O CÉU NOS ENSINAMENTOS DE JESUS
Jesus falou freqüentemente sobre o reino dos céus. Era sua maneira de falar da esfera do domínio de Deus. Em oração, ele ensinou seus discípulos a dizer, “Venha teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus” (Mateus 6:10). Entretanto, nosso Mestre, descreveu o céu como mais do que um lugar do governo divino. Também o chamou de a casa do seu Pai. Disse aos seus discípulos que iria para lá preparar um lugar para eles. “E se eu for e lhes preparar um lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver” (João 14:3). Este será um lugar de alegria e recompensa eterna onde a traça e aferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam” (Mateus 6:19-20).
Estou convencido que Deus está agora nos ensinando a depender dele durante a eternidade, o que ultrapassa nossa habilidade de entendimento.
CÉU NO APOCALIPSE
O último livro da Bíblia reúne vários temas da criação original de Deus numa só grande visão. No Apocalipse, os céus vêm até à terra. A cidade de Deus desce até nós. Deus mora entre seu povo e “ele enxugará dos seus olhos toda a lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Apocalipse 21:1-4).
AGORA E PARA SEMPRE
Então, ainda acredito nas possibilidades que mencionei antes? Até um certo ponto. Competição onde todos ganham pode ser equivalente a ruas de ouro ou portões de pérola. Não sei. Não quero ficar contando com isto. O que estou certo é que nosso Deus quer que abracemos fortemente a antecipação de que viveremos com ele para sempre.
Estou convencido que Deus está planejando uma surpresa após outra, e que os céus serão mais do que possamos imaginar, e não menos. E não importa o que isso signifique, pois tudo será centrado naquele que assegurou aos seus amigos com as seguintes palavras, “Não se perturbe o coração de vocês [...] E se eu for e lhes preparar um lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver. Vocês conhecem o caminho para onde eu vou” (João 14:1-3).
Deus que estás nos céus, ficamos confusos nesta escuridão que ainda não compreendemos. Obrigado por seres paciente conosco. Ajuda-nos a ver que a graça que nos mostras hoje é apenas uma pequenina amostra de tua habilidade de usar toda a eternidade para nos surpreender cada vez mais com tua bondade. —Mart De Haan