A Estrada Para o Realismo
Alguém notou que, “Os otimistas pensam que o copo está meio cheio. Os pessimistas pensam que o copo está meio vazio. Os realistas sabem que se ficarem juntos dos dois o tempo suficiente, vão acabar tendo que lavar o copo.” No campo da arte, os realistas pintam a vida sem falhas, imperfeições, manchas ou defeitos. Os idealistas pintam o objeto como eles imaginam que poderia ou deveria ser.
Na estrada da vida, ambos são importantes. Os ideais nos direção. Realismo nos dá tração. Porém ambos têm as suas desvantagens. Realismo pode sacrificar os nossos sonhos; idealismo pode consumir os nossos dias numa procura fútil pela felicidade, por um casamento ou trabalho perfeitos. Idealismo e realismo também se refletem em assuntos de fé. Alguns pensam em Deus como um pai obsessivo e exigente, ao qual é impossível agradar. Outros pensam que Deus é como um avô indulgente, que é tão compassivo e amoroso que não existe motivo para temê-lo.
O que você pensa? Deus é realista ou idealista? É esta pergunta que nos traz a um ‘cruzamento’ de idéias muito movimentado. Se não tivermos cuidado, seremos ‘atropelados’, pelas opiniões que vêm contra nós de todas as direções. Vale a pena passar pelo perigo dos ‘cruzamentos’. Enquanto olhavam com cuidado para os dois lados da rua antes de cruzar, muitos encontraram um Deus que é bom o suficiente para nos inspirar com os seus ideais, misericordioso o bastante para nos aceitar como somos e demasiado amoroso para nos deixar como nos encontrou. Esta parece ser a história da Bíblia.
Em um mundo perfeito, viveríamos eternamente. Este é o drama da Bíblia do início ao fim. Todavia, nos primeiros capítulos da Bíblia, Adão e Eva perdem a sua inocência e imortalidade. O primeiro filho mata o irmão mais novo e desde então uma sucessão de dias bons e maus começam; construindo e derrubando as nossas esperanças. No entanto, o realismo de um mundo perseguido por conflito e morte não é o que faz da Bíblia o livro mais vendido de todos os tempos. O que faz com que este Livro nos cative é que o seu forte realismo oferece força para a jornada com a visão de um mundo melhor no final do percurso. De acordo com o profeta Isaías, um dia as armas de guerra serão recicladas em ferramentas agrícolas (2:4) e até mesmo uma ovelha se alimentará tranqüilamente ao lado de um lobo (65:25). No final, aqueles que se reconciliam com Deus agora, encontrarão a paz eterna. Porém, o idealismo da Bíblia não é somente sobre o futuro. Tanto o Velho como o Novo Testamento nos chamam a amar a Deus com todo o nosso coração e ao nosso próximo como a nós mesmos. Ambos os Testamentos enfatizam não só a regra moral do “amor”, mas também as virtudes: do “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gálatas 5:22-23). Nenhuma sociedade aprova leis contra tais ideais. Contudo, tão pouco, ninguém consegue vivê-los de maneira consistente. Então como viveremos com a nossa imperfeição?
Em um mundo realde fraqueza humana, o judaísmo do primeiro século tinha uma resposta para a limitação moral. Alguns rabinos ensinavam que quem obedece qualquer mandamento importante como deixar para trás a idolatria, é igual àquele que guarda toda a lei. A interpretação de um autor do Novo Testamendo chamado Tiago, torna as coisas mais interessantes quando afirma, “Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente” (Tiago 2:10). A princípio, o ponto de vista dos rabinos parece ser mais realista ao centrar-se na obervação da lei, em vez de focar a sua atenção no indivíduo que a quebra. Por outro lado, Tiago parece estar preparando uma armadilha para o perfeccionismo – ele diz, quebre uma lei e você quebrará todas. Por outro lado, se pensarmos nesse mesmo versículo de outra perspectiva, “Guarde uma lei e guardará todas”, será que dormiremos melhor? Quem ama o seu próximo como a si mesmo? Quem, ao compreender o âmago da idolatria, abandona todos os seus deuses? Quem nunca cobiçou algo? É interessante observar que Tiago não é o idealista que o versículo acima parece indicar (Tiago 2:10). Quando ele cita a lógica da lei, ele o faz somente para chamar a atenção daquelas pessoas arrogantes que se recusam em mostrar misericórdia (vv 12-13). Ele escreve como um seguidor de Cristo (1:1). Tiago acredita que a sua fé em Cristo o impulsiona a amar o seu próximo de modo realista e prático (1:26-2:8). As pessoas às quais Tiago se refere, são aquelas que falam como se fossem amigos do idealismo e realismo – sem dignificar qualquer um dos dois.
Motoristas perigosos— Os líderes religiosos que pediram a morte de Cristo tinham a lei de Deus nas suas mentes, mas não nos seus corações. Em público, eles eram especialistas da Lei, em privado, eles criaram ‘saídas’ legais que lhes permitia ignorar o cumprimento da lei que exigiam dos outros. Publicamente eles discutiam os ideais morais. Eles criaram leis à volta de leis, como cercas que mantinham os mais ‘descuidados’ de dentro dos limites da lei de Moisés. Em privado, eles eram suficientemente realistas para saber que tinham que quebrar as suas próprias leis para se livrarem do rabino de Nazaré, que estava fazendo com que eles parecessem hipócritas.
Mudando de faixa —Jesus era amável com as pessoas que os outros líderes religiosos evitavam. Ele comia e bebia com pessoas que outros líderes religiosos jamais se aproximariam. Ele tocou leprosos, mostrou respeito com as mulheres e amou as crianças barulhentas. O idealismo mais inspirador se encontra com o forte realismo na pessoa de Jesus. Em nenhum outro lugar encontramos uma imagem que identifique melhor o que é ser fiel aos princípios mais elevados, e ao mesmo tempo, que oferece misericórdia aos que mais sofrem. Quando Jesus empurrou a lógica da moral idealística, ele o fez para, de forma amorosa, quebrantar os orgulhosos (Mateus 5:20-48). Quando ele ofereceu misericórdia, em vez de moralidade, ele o fez para mostrar que tinha vindo para resgatar e não para condenar (João 3:17; 12:47).
Pai do Céu, te agradecemos por nos mostrar, através do teu filho, que não existe conflito entre os teus ideais e a profundeza da tua misericórdia. Somos eternamente gratos que nos amas o suficiente para nos aceitar, e não nos deixar onde nos encontraste. Ajuda-nos, por favor, a oferecer a outros o que tu nos deste. —Mart De Haan
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